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1811350.jpg64° dia crônico... Dia das mães.

Para mim existiram 64 dias das mães, onde houve presença, som, toques e afetos.

Não sei quantos dias das mães ainda viverei desta forma, neste molde!

Embora tenham se passado 64 anos, a cada um deles foi adicionado um sentido, pois a percepção de mim, e dos outros foi crescendo, foi se maturando...

-E dos sins e dos nãos foi feita uma decantação!

E as sensações das interações foram interiorizadas por mim e na consciência de meus sentidos foram deixando marcas.

Minha mãe nasceu comigo!

Nasceu no instante do desejo por uma maternidade, desejo que se consolidou com a gravides, levada a termo pelo meu nascimento...

Nos meus primeiros dias das mães apreendia as coisas do e no mundo, e destes não guardo recordação!

Dos subsequentes, reluto em apontar qual foi o mais relevante...

Seja como for, num dia das mães o principal é que exista uma mãe!

-E que esteja viva, e bem, e presente; pois, a presença no filho de uma mãe inexistente é muito dolorida, -aprendi isso a duras penas e conviver com este sentimento é angustiante.

Por outro viés,ter a mãe presente não significa tê-la por inteiro, pois, mesmo a mãe sendo sempre a mesma, ela sempre será diferente!

As nossas mães são seres em construção permanente, como nós outros, que vão se fazendo diuturnamente; embora o instinto materno não se modifique na essencia,e antes, até se avolume.

E por outro mister, as nossas mães são seres humanos que tem um passado!

-Passado onde houveram sonhos, desejos, caminhos trilhados, e os caminhos abandonados...

Nossas mães, são seres profundamente marcados pela dedicação ás suas escolhas; nós -os afortunados!

E no decorrer da vida, histórias de vida vão sendo relegadas aos subterrâneos do silêncio,

acessadas às vezes por uma inesperada palavra alencada numa conversa, ou no momento nostálgico dum manuseio de velhos álbuns de fotos, hoje quase extintos...

Quanto destas memórias do subsolo não definem as mães que temos?

E quantos de nós filhos, nos dedicamos a procurar as chaves deste relicário?

E temos a coragem para abri-los?

Assim, de certa forma o meu melhor dia das mães seja este de agora; o 64°!

A minha consciência das coisas tem mais autonomia, consigo distinguir expectativas e fatos...

E em relação à minha mãe, hoje com 81 anos, as minhas expectativas sempre foram aquéns a ela, pois os fatos que perfazem a minha mãe histórica não condizem inteiramente com a grandeza e envergadura dela!

Assim, minha mãe dona Eudalia Martins, é alma amante da liberdade, afeita á beleza, que gosta de viver de bem com a vida.

É falante e comunicativa!

Tem daquela graciosidade das pessoas longevas que amam estarem vivas, que pouco ou nada reclamam de dores, ou de dificuldades vividas...

-Mas, são plenas de história!

E sua alma vibrando a cada pulsação de seu coração, procura espelhos que produzam um reflexo fidedigno de si...

Por isso, minha mãe Eudalia Martins, repito, trás a graciosidade da poesia!

-Daquelas poesias singelas, cheias de detalhes, entalhadas com temas de natureza...

Quase naife!

Mas, estas poesias, como a minha mãe histórica, são quais belas vitórias-régias sobre lâminas d'água: tem raizes, tem memória!

O meu melhor dia das mães é este, e a melhor e maior mãe é a senhora Eudalia Martins...

Pois, minha senhora, és a mãe presente que foi, és a mãe presença de agora; e é uma pessoa da qual sei um pouco mais...

Podendo tocar nas entrelinhas de sua trajetória, posso enfim estar em paz com a minha própria história!

E a verdade é uma só:

Sempre a levei comigo, desde do de repente em que me vi com os dois pés fora de nossa aldeia!

Pois, os nossos afetos permacem em nós!

Edvaldo Rosa

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10/05/2026

Edvaldo Rosa
Enviado por Edvaldo Rosa em 14/05/2026
Alterado em 14/05/2026
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