Por detraz da mascára, das pinturas coloridas, das piadas engraçadas, com as quais colore a vida, chora o palhaço... Nas esquinas da vida, nos cantos e recantos, tantas dores, desamores, desesperanças... E na frente das crianças, que talvez nem sabem das agudezas da vida, sorri o palhaço, faz graça, faz troça! Longe das palhoças, onde faltam talvez a comida, a acolhida, de braços feito abraços, de bocas que não se transfiguram em beijos, e línguas, que não vibram palavras de amor... É na frente das crianças que se mostra o talento do palhaço: Transformar tristezas em alegrias! E nos caminhos de minha vida, no dias mais tristes do caminho, onde das flores só toco os espinhos, que me faço palhaço, que faço troça com meu sofrimento, e piada do que me oprime o peito! E saio de cena, como o palhaço, que deixa um gosto de quero mais... E assim, vou ao encontro de meus ais e se choro, já não choro tanto mais... Pois deixei em vez do pranto um sorriso, e no ar um sentimento de alegria e paz! Chora palhaço, não pela dor de quem te ouviste as troças, chores só quando, não fores o palhaço mais! E assim já não haja para nós, uma esperança.